Fala FA.VELA| Impacto Sistêmico e 1 mês de “Paciência Negra”

Fala FA.VELA| Impacto Sistêmico e 1 mês de “Paciência Negra”

O debate racial é acentuado no mês de novembro devido ao dia da Consciência Negra. Para discutirmos entre pares os desafios que enfrentamos e também nos inspirarmos para seguirmos fortes, no último dia 05/11 realizamos a primeira edição do Fala FA.VELA deste ano.

Sabemos que contexto histórico brasileiro a população negra está em desvantagem desde a época da escravidão que foi finalizada a mais de 130 anos (mas que deixou resquícios na vida dos negros que vivem no Brasil até hoje). Mesmo após o seu fim os negros não possuíam uma estrutura social, econômica e política para seguir sua vida com dignidade e condições básicas, o que resultou em prejuízos no acesso à educação e ao mercado de trabalho. Por isso o Fala FA.VELA reacende a necessidade de debatermos o tema.

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Ethos em 2016, entre as 500 empresas brasileiras analisadas, apenas 6,3% dos funcionários dessas organizações são negros e ocupam cargos de gerência. Entre os cargos executivos apenas 4,6% são negros.

Esses dados alertam para a disparidade de participação dos negros nas empresas, destacando a falta de representatividade e de participação dos diversos públicos. Ainda hoje, algumas organizações mantêm um padrão em que alguns grupos sociais permanecem subjugados. Por isso é preciso desenvolver estratégias para combater a discriminação, promovendo espaços mais inclusivos com inserção no mercado de trabalho e  oportunidade de fala para os negros sobre suas experiências profissionais. Considerando isso o evento Fala FA.VELA surge para propor essa troca de conhecimentos e histórias.

O Fala FA.VELA contra a invisibilidade dos povos em situação de vulnerabilidade.

O Fala FA.VELA é uma proposta que tem o intuito de promover um espaço para troca de experiências entre pessoas, criando redes em um ambiente descontraído e informal. O evento permite que os empreendedores em processo de capacitação, voluntários da organização e convidados possam conhecer histórias de vida e de sucesso de empreendedores de comunidades e aglomerados, que transformaram o desafio da exclusão social em oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.

Esse evento propõe uma nova perspectiva de temas para debate servindo para trocar experiências e mostrar que é possível romper com a estrutura opressora, buscando novas alternativas e apresentando as capacidades de desenvolvimento profissional. Além de possibilitar que os negros e as pessoas periféricas discursem sobre outros temas sem ser relacionados exclusivamente a raça.

Na edição de novembro, além de sua proposta tradicional, o Fala FA.VELA celebrou o reposicionamento de nossa marca que vem selar as comemorações de 5 anos de nossa organização. Em uma noite de muito debate, troca e comemoração, refletimos uma vez mais sobre o assédio que permeia os corpos negros, principalmente no mês de novembro.

Para Refletir

Para abrir a noite do Fala FA.VELA, foi exibido o documentário Quem Se Importa, da diretora e roteirista Mara Mourão . O filme acompanha a vida de 19 empreendedores sociais e seus projetos ao redor do mundo, mostrando como pequenas atitudes geram um grande impacto sistêmico e podem mudar a vida de uma ou mais pessoas.

Sabemos que os espaços de fala que os negros encontram na sociedade são em grande parte referentes a questões raciais. Esse é outro ponto que deve ser analisado, pois existem profissionais negros de diversas áreas, aptos a falar sobre sua profissão, conquistas e conhecimentos, saindo da perspectiva do negro como pessoa que só sabe e pode falar sobre racismo e discriminação. O Fala FA.VELA propõe a discussão sobre experiências e empreendedorismo, sendo um meio de mostrar que os negros e as pessoas periféricas estão criando novas trajetórias e tem conhecimento para falar sobre diversos temas. 

E para trazermos a nossa perspectiva de sucesso e tomarmos a narrativa desse discurso, convidamos o nosso presidente João Souza , o mais novo Empreendedor Social reconhecido pela ASHOKA e a Priscila Gama, fundadora da startup Malalai para inspirarem nossos empreendedores e convidados.

Para discutir

Ao fazer apenas uma palestra na semana da consciência negra para um grupo de funcionários em sua maioria ou totalidade brancos, demonstra que a empresa seguiu meramente o calendário como uma obrigatoriedade. Se essas empresas estivessem realmente preocupadas com a situação dos negros no país seriam tomadas medidas para incorporar essa parte da população entre os seus funcionários.

É válido lembrar que a discussão sobre desigualdades sociais, discriminação racial, acesso a educação, mercado de trabalho e sobre a estrutura racista que os negros brasileiros estão inseridos deve acontecer frequentemente, em busca de mudanças significativas para a população negra que é historicamente prejudicada e tem direito às mesmas oportunidades que os outros grupos sociais.

E é com esse intuito que o Fala FA.VELA traz descontração, lugar de fala e muita gente competente para debater uma forma de avançarmos nesses mares. Vem ver com a gente como foi!

Fala FA.VELA| Impacto Sistêmico e Inovação

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